banner-meus-ynvestimentos

Mercado a Termo

Mercado a Termo

mercado-a-termo

1. O que é?

Mercado à termo está relacionado com futuro. Uma operação a termo consiste em uma compra ou venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço pré-estabelecido, com uma prazo determinado de liquidação. Essas condições são livremente acordadas entre os investidores, tendo que, obrigatoriamente, ter um prazo mínimo de 16 dias e um prazo máximo de 999 dias corridos. O preço negociado será o valor da ação mais um valor de juros, acordado livremente entre as partes negociantes, sempre em função do prazo do contrato.

O mercado a termo funciona como uma espécie de contrato de financiamento. De um lado, temos um investidor que quer comprar ações, mas que talvez não tenha o dinheiro no momento, e quer garantir sua compra no futuro. Dessa forma, ele se utilizado do mercado a termo, pagando o preço da ação mais uma taxa de juros, para a compra em uma data futura. Do outro lado, temos outro investidor que quer vender as ações, e, para ter uma melhor rentabilidade, cobra da outra ponta uma taxa de juros. Ele também pode comprar ações no mercado à vista e já fazer um contrato a termo, garantindo a venda das ações em uma data futura pelo preço que pagou acrescido de uma taxa de juros.

O contrato a termo é muito parecido com um contrato futuro, com algumas diferenças. No contrato a termo, há um acordo bilateral, que não pode ser transferidos à terceiros. Um contrato futuro é totalmente padronizado, podendo ser negociado livremente no mercado, encerrando a posição. No contrato a termo, se qualquer uma das partes quiser encerrar o contrato antecipadamente, a outra parte deverá aceitar. Além disso, não há ajustes diários de posição para o contrato a termo, sendo o resultado financeiro apurado na data de liquidação do contrato. A operação a termo é realizada em leilão, com uma operação muito parecida com o mercado à vista.

Podemos resumir os direitos e deveres das contrapartes conforme a seguir:

Comprador: possui o direito de receber a ação em uma data futura, com a obrigação de pagar uma taxa de juros, acordada previamente em contrato. Se na data de liquidação do contrato o preço da ação à vista estiver maior que o preço acordado em contrato acrescido da taxa de juros, o comprador terá um lucro, pois poderá vender a ação no mercado à vista por um preço mais alto do que pagou no mercado a termo.

Vendedor: possui a obrigação de entregar as ações na data de liquidação do contrato, pois foram vendidas. Como direito, ele recebe o preço fixado acrescido de uma taxa de juros, aprovada em contrato entre as partes. Caso o preço da ação a vista no vencimento estiver abaixo do preço acordado, o vendedor do termo terá um lucro, pois vendeu as ações por um preço maior do que elas estão valendo no mercado à vista, isto é, no vencimento do contrato. Além disso, há o lucro com os juros do termo. Mesmo se o preço da ação no vencimento no mercado à vista estiver acima do preço acordado no contrato a termo, o vendedor terá um lucro, pois receberá os juros do termo.

Com relação aos direitos e proventos distribuídos no período do contrato a termo, eles pertencem ao comprador, e o recebimento se dá juntamente com as ações, isto é, na data de liquidação do contrato a termo. Se a empresa pagar dividendos ou juros sobre capital próprio durante o período do contrato, o comprador é quem tem direito de receber esses direitos, sendo recebidos na data de liquidação do contrato.


2. Características

Código de Negociação

A nomenclatura da negociação dos contratos a termo é feita da seguinte maneira:

1. Código de negociação da ação: Exemplo: PETR, VALE, OGXP, etc.

2. Número, indicando tipo do papel negociado no contrato a termo.

3. Letra referindo-se à classe do termo. São 3 classes:

Termo em pontos, indicado por um número, sendo esse número equivalente ao preço a termo em Reais, ajustado pelo índice definido entre as partes.

Termo referenciado em Dólar, indicado pelo letra D.

Termo Flexível, indicado pela letra S.

Exemplo:

PETR51T

Vencimento dos contratos

Qualquer ação na Bovespa pode ser negociada a termo. É importante firmar contratos que tenham liquidez, isto é, firmar contratos padronizados, com prazos de 30, 60, 90, 120 dias, etc. Dessa forma, fica mais fácil de negociar os contratos. É possível liquidar os contratos antecipadamente. As formas de liquidação do contrato a termo podem ser da seguinte maneira:

Liquidação no vencimento: Ocorre somente no vencimento do contrato, onde o comprador efetua o pagamento do preço das ações acrescida dos juros acordado e o vendedor entrega as ações, encerrando-se assim o contrato a termo.

Liquidação Antecipada: Caso o comprador queira, poderá solicitar ao vendedor a liquidação do contrato antecipadamente, implicando no pagamento do preço estipulado pelo prazo em que o contrato ficou em aberto. Caso o vendedor aceite, o contrato é encerrado e a posição desfeita. A liquidação antecipada poderá ser solicitada até o 3º dia útil anterior à data de vencimento do termo.

Rolagem de Termo: É possível efetuar uma rolagem de posição, isto é, estender o prazo para um vencimento mais longo. Chegando perto da data de liquidação do termo, caso o comprador e vendedor queiram, poderão rolar para um outro vencimento futuro. Essa rolagem poderá ser feita em até 3 dias úteis antes do vencimento do contrato, onde o investidor deverá vender as ações no mercado à vista, liquidar o contrato e fazer um novo contrato a termo, tudo no mesmo dia. Dessa forma, o comprador pagará somente a diferença dos preços.

Margem de garantia

Para efetuar operações a termo, é necessário fazer um depósito de garantia, com o objetivo minimizar o risco do comprador não ter dinheiro para honrar com seus pagamentos no vencimento do contrato a termo. A margem de garantia é estipulada pela Bolsa, de acordo com critérios de apuração de margem para os contratos a termo. Os ativos aceitos como margem de garantia podem ser dinheiro, ouro, títulos públicos federais, títulos privados, cartas de fianças, ações e cotas de fundos fechados de investimento em ações. Para o vendedor, a exigência é que sejam depositadas as ações em negociação como margem de garantia. Para o comprador, é exigido uma margem inicial de aproximadamente 20% do valor das ações compradas a termo. Caso o preço da ação negociado no mercado a vista se distanciar muito do preço negociado a termo, onde o comprador tenha prejuízos altos, será exigido um depósito adicional de margem de garantia, a fim de não haver problemas para se pagar o contrato a termo para o vendedor.

A margem de garantia inicial será debitada do comprador no dia da efetuação do contrato a termo. Se o comprador do termo não honrar com o pagamento do preço da ação ou dos juros, a bolsa executa essa margem de garantia, pagando ao vendedor do termo o valor que lhe é devido.


3. Tipos

Existem 3 tipos de mercado a termo:

Termo Flexível

O termo flexível segue todas as regras do mercado a termo tradicional, porém, com uma vantagem. É possível substituir as ações-objeto do contrato. Nesse caso, o comprador venderá à vista as ações adquiridas a termo, onde o montante financeiro ficará retido na CBLC sem remuneração. Logo, o comprador poderá utilizar esses recursos para comprar ações de outra empresa no mercado à vista, onde ficarão depositadas como cobertura em substituição às ações anteriores e passarão a ser as novas ações do contrato.

Termo em pontos

O termo em pontos permite a negociação secundária dos contratos a termo, onde o valor de cada ponto será calculado pela conversão do valor dos pontos para Reais. As regras do mercado a termo em pontos segue as mesmas regras do mercado a termo tradicional.

Termo em dólar

O preço contratado será corrigido diariamente pela variação da taxa de câmbio média de Reais por dólar (PTAX), no período compreendido entre o dia da operação e o dia de encerramento do contrato.


4. Estratégias

As principais estratégias ao se operar contrato a termo são:

Proteger preços

Essa estratégia consiste em fixar o preço da ação, onde o investidor acredita que ela poderá se valorizar no final do prazo do contrato. Com isso, o comprador do termo não precisa desembolsar o valor para comprar as ações, pois fará isso somente no vencimento do contrato a termo, entretanto, ele fixa o preço da ação, acreditando que futuramente os preços subirão e ganhando tempo hábil para obter todos os recursos para a compra da ação ao final do contrato. Essa estratégia garante o preço da ação, fazendo com que o investidor não perca uma possível valorização do preço da ação no mercado à vista. Entretanto, caso o preço da ação se desvalorize, o investidor terá que arcar com os prejuízos, pois o preço que ele fixou no contrato a termo é maior do que o preço da ação negociado no mercado à vista, na data de liquidação do contrato.

Diversificação de riscos

Nessa estratégia, o investidor prefere efetuar uma operação a termo ao invés de colocar seu dinheiro diretamente nas ações, desembolsando assim somente a margem de garantia. Essa diversificação acarreta em riscos menores, uma vez que a eventual perda com uma ação poderá ser compensada com o ganho em outras ações. Por exemplo, se um investidor possui ações da Petrobrás em carteira, e acredita que as ações da Vale vão subir, e ele não possui dinheiro para comprar as ações da Vale, ele poderá fazer um contrato a termo, utilizando as ações da Petrobrás como margem de garantia. Dessa forma, ele não precisa se desfazer das ações da Petrobrás e consegue garantir um preço para as ações da Vale, podendo lucrar em ambas as pontas. Vale ressaltar que, como os contratos a termo são operações de alavancagem, poderá haver perdas significativas, inclusive maiores que as margens efetuadas, tendo o investidor que aportar mais recursos a fim de cobrir sua posição, aumentando assim seu risco.

Obter recursos (operação caixa)

Nessa estratégia, o investidor precisa de recursos imediatos, mas não quer se desfazer da sua carteira. Dessa forma, ele vende as ações que possui no mercado a vista e, imediatamente, faz uma operação a termo com a mesma quantidade e preço de suas ações que acabou de vender. Dessa forma, ele levanta recursos para investir em outro ativo. Na data de vencimento do contrato a termo, o investidor compra as ações de volta, por um preço muito próximo àquele que estavam quando vendeu no mercado a vista, tendo como custo os juros do termo cobrado de acordo com prazo do contrato a termo.

Alavancagem

Fazer um contrato a termo é mais barato do que comprar as ações no mercado a vista. Tudo porque ele não precisa desembolsar o dinheiro no momento, podendo fazer isto em uma data futura. Dessa forma, um investidor necessita somente da margem de garantia (aproximadamente 20% do volume negociado) para garantir a compra de uma determinada ação a um determinado preço. Dessa forma, o mercado a termo possibilita ao investir operar alavancado, isto é, o investidor pode controlar um volume muito maior do que suas disponibilidades financeiras. Caso o preço das ações se valorize, a alavancagem vai proporcionar maior retorno ao investidor, pois ele conseguiu comprar mais quantidades do que se comprasse no mercado a vista. Por outro lado, uma queda no preço da ação negociada poderia acarretar em prejuízos altos para o investidor.

Financiamento

Essa estratégia consiste em ganhar somente os juros do contrato a termo. Um investidor compra as ações no mercado a vista e, imediatamente, faz um contrato a termo a um determinado prazo, com o objetivo de ganhar na diferença entre o preço que ele pagou no mercado a vista e o juros da operação. Essa estratégia é considerada de baixo risco, pois o vendedor do termo sempre receberá o valor acordado no final do contrato. Entretanto, os custos de corretagem e transação acabam diminuindo os lucros, e até mesmo tornado esse tipo de operação inviável.

Aumentar a receita

Essa estratégia é muito utilizada pelos investidores que querem vender suas ações e que não vão utilizar os recursos no curto prazo. Dessa maneira, eles fazem um contrato a termo com o objetivo de ganhar a remuneração de juros do contrato, aumentando assim a receita. Dessa forma, no vencimento do contrato, o vendedor do termo receberá o dinheiro proveniente das vendas das ações, a um preço estipulado (sendo esse preço o mesmo preço que ele venderia no mercado a vista antes de fazer a operação do termo), acrescido da taxa de juros utilizada para remunerar o contrato a termo.


5. Tributação

Custos de tributos

Os custos operacionais para se operar no mercado a termo são:

Corretagem: Podendo variar para cada corretora. Entretanto, a grande maioria se utiliza da Taxa Operacional Básica, estipulada pela própria Bovespa.

Taxas da Bolsa: São cobradas taxas de emolumentos, taxas de liquidação e taxa de registro, calculados pela própria Bovespa, conforme a seguir:

Emolumentos: Os emolumentos são os valores cobrados pela Bovespa referente aos serviços de negociação. Eles incidem na negociação do contrato (abertura ou encerramento de posição antes do vencimento), exercício de opções, registro e liquidação antecipada e procedimento de cessão de direitos. Os emolumentos cobrados para a negociação do contrato a termo para pessoas físicas é de 0,0180%.

Taxa de Liquidação: Essa taxa refere-se à liquidação dos contratos no encerramento de posições no vencimento, além de pagar as despesas da clearing. Geralmente, a taxa de liquidação é um valor fixo, cobrado por contrato, independente do volume negociado. No contrato a termo, é cobrado 0,0275%.

Taxa de Registro: Valor cobrado para registrar a operação na clearing, incidente somente nas negociações que impliquem a abertura de posições ou o encerramento antes do vencimento, sendo cobrada no dia útil subsequente à data dessas duas ocasiões. Atualmente, a taxa de registro ao se operar contratos a termo é de 0,0195%.

Os custos operacionais, assim como a corretagem, são cobrados do comprador em D+3.

Imposto de renda

A tributação do contrato a termo será a uma alíquota 15% sobre o resultado positivo entre o preço de venda das ações na data da liquidação do contrato menos o preço nele estabelecido e apurada no encerramento da posição. Há também a alíquota de 0,005% de imposto de renda retido na fonte.

É permitido a dedução de todos os custos e despesas incorridos nas operações, como taxas de corretagem e taxas cobradas pela BMF&Bovespa. É permitido também a compensação de perdas incorridas com os ganhos líquidos auferidos no próprio mês ou nos meses subsequentes, sendo a compensação válida somente para operações da mesma espécie e modalidade operacional.

O recolhimento do imposto é de responsabilidade do próprio investidor, exceto quando o imposto for direto na fonte e deverá ser apurado mensalmente e pago até o último dia útil do mês subsequente ao da apuração. A apuração é realizada ao longo da vigência do contrato e não mensalmente.

Você também poderá gostar...