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Fluxo de Caixa

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O fluxo de caixa talvez seja o principal instrumento de análise de uma empresa. Ele demonstra efetivamente o dinheiro que realmente entra ou sai de seu caixa, propiciando identificar o processo de circulação do dinheiro, através da variação de caixa e equivalentes. Uma companhia pode ter muito dinheiro entrando com suas vendas e mesmo assim não ser rentável. Já outra companhia pode ser rentável com vendas a crédito e sem ter muito dinheiro entrando. Portanto, o fluxo de caixa envolve os pagamentos e recebimentos efetivos em geral, sempre examinando a origem e aplicação do dinheiro que transitou pela empresa.

O fluxo de caixa poderá ser feito pelo caixa passado, isto é, pelo que já foi realizado, pela previsão do caixa, isto é, se referindo a um período futuro ou considerando o passado, sendo feitos ajustes de certos usos futuros obrigatórios de recursos que ocorrerão no exercício seguinte. Além disso, o fluxo de caixa, se tratando de análise de projetos, permite fazer uma análise de viabilidade do projeto em questão, a fim de saber se o projeto é economicamente viável ou não, isto é, se é justificável o investimento no projeto ou não.

Assim como a demonstração de resultado de exercício, o fluxo de caixa se refere a um período específico, sendo geralmente divulgado junto com o balanço e o DRE, isto é, trimestralmente e anualmente, na maioria dos casos. Além disso, o DRE geralmente mostra os resultados com base no regime de competência, que considera as despesas e receitas incorridas em um determinado período e que não foram pagas/recebidas efetivamente. Nesse caso, uma empresa poderá demonstrar lucro em um período, porém seu caixa pode ter diminuído. Há itens também que afetam o DRE, mas não afetam o fluxo de caixa, como por exemplo, a depreciação, que é computada como uma despesa no DRE, mas que não há uma saída de caixa para pagar tal despesa.

O fluxo de caixa começa com o caixa das atividades operacionais, começando com o lucro líquido somado com o valor das depreciações e amortizações, uma vez que estas não consomem caixa, pois representam o que já foi gasto anos antes. Depois, vem o fluxo de caixa das operações de investimentos, que inclui todas as despesas com ativos fixos feitos pela empresa em um determinado período contábil. Além disso, estão incluídos nessa categoria a soma do dinheiro gasto ou recebido pela compra ou venda de ativos que geram receita. Por último, estão as atividades de financiamento, que mede o fluxo de entrada e saída de dinheiro de uma companhia gerado por operações financeiras. Estão incluídas aqui as saídas de caixa para o pagamento de dividendos, além de recompra de ações da própria empresa. Se for somado o caixa das atividades operacionais, o caixa das atividades de investimentos e o caixa das atividades de financiamento, será obtido o resultado final de caixa.

Existem duas maneiras de demonstrar o fluxo de caixa. São elas:

Método direto: no método direto, é possível ter uma visão analítica das entradas e saídas do dinheiro na empresa. Os principais recebimentos e pagamentos podem ser obtidos dos registros contábeis, das mudanças ocorridas no estoque e contas a pagar e receber, dos ajustes de vendas e custos e de outros itens que não envolvam o caixa.

Método indireto: o método indireto chega à variação de caixa, porém com menos riqueza de informação. Ele é determinado ajustando o lucro líquido ou prejuízo quanto aos efeitos de mudanças ocorridas no período nos estoques e contas operacionais a pagar e receber e nos itens que não afetam o caixa, como depreciação, provisões, impostos diferidos, variações cambiais, resultados de equivalência patrimonial em investimentos e participações de
minoritários e todos os outros itens cujos efeitos sobre o caixa sejam fluxo de caixa decorrentes de atividades de investimento e financiamento.

Vamos descrever e explicar as principais contas que compõe uma demonstração de fluxo de caixa, e verificar o porquê que essa demonstração é muito importante param se analisar as atividades de uma empresa e identificar se ela é lucrativa, possui uma boa geração de caixa, suas vantagens competitivas e se ela possui um futuro promissor ou está apresentando dificuldades financeiras, econômicas, entre outras. A seguir, um exemplo de uma demonstração de fluxo de caixa da empresa Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, referente ao 2 trimestre de 2013:

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Atividades Operacionais

O fluxo de caixa decorrente das atividades operacionais é basicamente oriundo das principais atividades geradoras de receitada das empresas. Para uma empresa saudável, o montante gerado através das atividades operacionais tem que ser suficiente para pagar todas as despesas, amortizar empréstimos, pagar dividendos e juros sobre capital próprio, fazer novos investimentos e continuar gerando fluxos futuros de caixa, tornado um ciclo sem fim. Os principais itens das atividades operacionais de caixa são listados a seguir:

Contas a Receber

São todas as contas de clientes recebidas no período, através da venda de mercadorias ou serviços da empresa. Se uma empresa vendeu a prazo, os recebimentos futuros não deverão entrar aqui, pois ainda não foi efetivamente recebido. Para ficar mais fácil de montar o fluxo de caixa, para calcular o quanto foi recebido efetivamente das vendas, basta pegar a receita líquida mais os impostos da demonstração de resultado e as duplicatas a receber do balanço patrimonial. Caso a empresa tenha alguma perda com vendas de mercadorias, deverá ser computado nessa conta, como por exemplo, provisão para devedores duvidosos.

Fornecedores

Nesta conta inclui-se todos os pagamentos a fornecedores. Da mesma forma que as contas a receber, as contas de fornecedores também podem ser pagas à prazo. Dessa maneira, o montante pago aos fornecedores nessa conta é representado pelas compras do período mais a variação da dívida da empresa junto aos fornecedores. Quando se tratar de uma empresa comercial, os custos das mercadorias vendidas mais a variação dos estoques representam as compras. No caso de uma indústria, tanto os estoques quanto o custo dos produtos vendidos contêm custos de mão-de-obra e outros custos indiretos não relacionados com a conta de fornecedores.

Despesas gerais/ Salários e Encargos

São computados aqui todas as despesas gerais e salários do período. O raciocínio aqui é o mesmo dos itens anteriores. As empresas precisam pagar as despesas gerais como alugueis, água, luz, dentre outras, além dos salários e encargos. Essas contas pagas dentro do período vão formar o item de despesas gerais e administrativos/salários e encargos do fluxo de caixa. Caso haja despesas antecipadas, o item deverá ser computado também. A lógica é que primeiro a empresa paga as despesas para depois apropriá-las na proporção do consumo. Dessa maneira, como houve uma efetiva saída de caixa, as despesas pagas antecipadamente deverão ser computadas.

Impostos, taxas e Contribuições

Compreendem todas as despesas de impostos, taxas e contribuições que as empresas são obrigadas a pagar sobre o lucro líquido no período representado. Se houver desembolso de caixa (saída de dinheiro da companhia) de impostos e contribuições, ele deverá ser contabilizado nessa conta.

Despesas Financeiras (Juros)

São contabilizadas nessa conta todas as despesas financeiras, como por exemplo, empréstimos de bancos, dívidas diversas, juros de bonds ou debêntures, entre outros. Como as despesas financeiras são agregadas à própria dívida, fica difícil identificar o valor exato dos juros futuros devidos. Por causa disso, o critério mais usado pelas empresas é demonstrar no fluxo de caixa todos os valores relativos às despesas financeiras que foram pagas dentro do período.

Receitas Financeiras

As receitas financeiras são aquelas geradas através das aplicações financeiras. Quando uma empresa possui dinheiro disponível em caixa, ela faz aplicações em CDBs, fundos de investimentos, operações compromissadas, debêntures, ações e diversas outras aplicações, ganhando um juros. Esses juros são as receitas financeiras, que também é computado no fluxo de caixa, pois houve um ganho efetivo de dinheiro durante o período analisado.

Depreciação, exaustão e amortização

A depreciação corresponde à perda do valor dos objetos físicos decorrente de seu desgaste de uso ou natural, perdendo sua utilidade de uso. A amortização corresponde à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercícios de duração limitada. Já a exaustão refere-se à perda de valor decorrente de exploração, sendo estes recursos naturais, como por exemplo, uma jazida de minério ou um poço de petróleo. Quando a empresa tiver um desembolso de caixa para pagar qualquer despesa sobre a depreciação, exaustão ou amortização, ela deverá ser computada no fluxo de caixa.

IR/CSL diferidos

Os fluxos de caixa referentes ao imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido devem ser apresentados separadamente como fluxos de caixa das atividades operacionais, a menos que possam ser especificamente relacionados com atividades de investimento e financiamento. Quando os fluxos de caixa dos impostos forem alocados em mais de uma classe de atividade, o valor total dos impostos pagos no período também deve ser divulgado.

Atividades de Investimento

As atividades de investimentos representam os gastos feitos pela empresa com a finalidade de gerar resultados e fluxos de caixa futuros. Se a empresa gasta dinheiro com maquinários, prédios, equipamentos e outros ativos, seu objetivo é gerar mais produção e receita no futuro, a fim de ganhar mais dinheiro e renovar o clico de investimento. Entre as principais contas de atividades de Investimentos, podemos destacar:

Imobilizado/Intangível

São todos os pagamentos e desembolsos de caixa para aquisição do ativo imobilizado e intangível, além de ativos de longo prazo. Esses desembolsos incluem os custos de desenvolvimento e ativos imobilizados de construção própria. É possível obter ganhos com o ativo imobilizado, quando, por exemplo, a empresa vende um ativo e recebe um caixa por ela. A aquisição ou a venda de ações de participações societárias em joint ventures também são computados nas atividades de investimentos.

Derivativos

Se refere aos pagamentos ou recebimentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção ou swap, desde que tais contratos não sejam mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os pagamentos forem classificados como atividades de financiamento. Caso a empresa mantenha posições derivativas de hedge, os fluxos de caixa do contrato deverão ser classificados do mesmo modo como forma classificados os fluxos de caixa da posição que estiver sendo protegida.

Atividades de Financiamento

As atividades de financiamento são os fluxos de caixa recebidos pela emissão de debentures ou bonds, empréstimos, títulos e valores mobiliários (ações), mútuos e outros empréstimos de curto e longo prazo. Quando a empresa recebe dinheiro oriundos dessas atividades, elas são classificadas como atividades de financiamento, e, como houve entrada de dinheiro na companhia, deverão constar no fluxo de caixa no período analisado. As principais contas que fazem parte das atividades de financiamento são:

Aumento de Capital

Se os sócios da companhia fizerem qualquer aporte adicional de capital, também chamado de aumento de capital, deverá ser contabilizado nessa conta, no devido período. Essas informações também constam na demonstração de resultado de exercício – DRE.

Financiamentos de longo prazo

Toda as atividades de investimento e financiamento fazem parte da estratégia de cada companhia. Ela deve ter como planejamento estratégico o uso de dinheiro próprio ou de terceiros. Para conseguir dinheiro de terceiros, é preciso emitir uma dívida, como uma debênture, ou será preciso abrir capital, isto é, emitir ações e vendê-las no mercado. Quando a empresa termina de levantar os recursos de financiamento, deverão ser registrados em seus livros contábeis, sendo que no fluxo de caixa, deverá aparecer nas atividades de financiamento.

Fluxo de Caixa Livre

O fluxo de caixa livre corresponde a movimentação de caixa com as atividades operacionais, investimentos e financiamentos. Se somarmos o total das atividades operacionais, o total das atividades e investimentos e o total das atividades de financiamentos, chegamos no fluxo de caixa livre. É ele quem vai dizer se, no período analisado, houve entrada ou saída de dinheiro na companhia. É muito importante analisar períodos passados, para saber se a entrada ou saída de caixa tem sido frequente ou se é apenas momentâneo. Se a empresa tem dificuldades em gerar caixa, é muito comum que a tendência do volume de investimento diminua, a fim de não comprometer mais o caixa. Aliás, o pior que pode acontecer para uma companhia é a falta de caixa, pois dessa forma ela não consegue pagar as contas, os salários dos funcionários, não tem recursos para reinvestir na empresa e acaba tendo que fechar as portas.

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