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Swap Cambial

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1. O que é?

Swap significa troca. Em finanças, operações de swap envolvem a troca de posições quanto ao risco e principalmente quanto a rentabilidade entre os investidores. O contrato de Swap pode ter como objeto moedas, índices financeiros, commodities, indexadores, etc. Os contratos são negociados em balcão e não são padronizados, não havendo a possibilidade de transferência a outro participante nem antecipação do vencimento.

Os Swaps mais comuns no mercado brasileiro são:

1. Swap de Taxa de Juros

Esse tipo de swap envolve trocar taxa de juros prefixados por taxa de juros pós fixados (CDI), ou o inverso. Por exemplo, se um investidor comprou um CDB pré-fixado de um banco A e quiser se proteger caso a taxa de juros suba, ele poderá fazer um swap com o banco B a uma taxa pós fixada. Se a taxa de juros subir, ele ganha a rentabilidade do Banco B, mas deixa de ganhar do banco A. Se a taxa de juros cair, ele perde do Banco B, mas ganha do banco A.

2. Swap de Índices

Consiste em um contrato de troca de índices (ou fluxos), sendo um associado ao retorno de índices de preços, como o IPCA ou IGP-M, por exemplo, ou índices de ações, como o Ibovespa, IBRX, etc.

3. Swap de Moedas

Nessa modalidade, o ativo objeto de troca são as moedas, tanto o principal quanto os juros. Por exemplo, uma empresa poderá trocar o montante em Dólar para Euro, por exemplo. Durante o contrato, os pagamentos são feitos a uma taxa prefixada para cada moeda.

4. Swap de Commodities

Há a troca de fluxos associados à variação de cotações de commodities, como milho, soja, café, etc.

5. Swap Cambial

Nesse Swap, ocorre a troca de variação cambial (variação do Dólar) por taxa de juros pós fixados (CDI). Vamos falar especificamente desse tipo de Swap.

O Swap Cambial visa negociar o diferencial entre a taxa de juro efetiva e a variação cambial. A taxa de juro efetiva refere-se ao CDI para o período compreendido entre a data da operação e a data de vencimento. A variação cambial corresponde a variação da taxa de câmbio de Dólar dos Estados Unidos, cotação de venda, negociada no segmento de taxas livremente pactuadas, observadas entre o dia útil anterior à data de operação até a data de vencimento.

O resultado é que o contrato desse tipo de operação é cotado a uma taxa de juro que representa a diferença entre as taxas de CDI e variação cambial, e que é denominada cupom cambial, isto é, a remuneração em reais dos dólares americanos investidos no Brasil.

Existem duas posições nas operações de Swap. Uma é a posição compradora (long) e a outra é a posição vendedora (short).

Posição Compradora (Long): Nessa posição está o investidor que vendeu a variação cambial do dólar mais o cupom cambial e comprou a taxa de juro (CDI).

Posição Vendedora (Short): Nessa posição, o investidor vendeu a taxa de juro (CDI) e comprou a variação cambial do dólar mais o cupom cambial.

Na data de liquidação, quem estiver na posição vendedora terá o direito de receber o valor correspondente ao cupom cambial positivo, caso a taxa de juro do CDI tenha acumulado uma valorização maior do que a variação cambial, dentro do período do contrato. Caso contrário, se a variação cambial tiver superado a valorização da taxa do CDI, o investidor da ponta vendedora terá a obrigação de pagar o valor correspondente ao cupom cambial negativo.

Como o Swap Cambial funciona?

Uma determinada empresa exportadora possui suas receitas em dólares, porém, suas dívidas em Reais, corrigidas pelo CDI. Ela então quer trocar o risco cambial dela pelo risco de juros pós fixados.

Já outra empresa possui suas receitas em Reais, aplicadas a um percentual do CDI. Suas dívidas são em Dólares. A estrutura dessa empresa é exatamente contrária a empresa anterior, isto é, ela quer trocar o risco do CDI pelo risco Cambial.

Essas duas empresas poderão fazer um contrato de Swap, entretanto, uma instituição financeira, como um banco, por exemplo, terá que intermediar essa transação. É possível também que o contrato de Swap envolva apenas uma empresa e o banco, onde o Banco assumiria o risco em Dólar ou CDI e a empresa assumiria o risco oposto

Quando todos os detalhes da transação forem estabelecidos, o contrato de Swap deverá ser registrado na CETIP (onde são feitos sem garantia) ou na Bolsa (podendo envolver garantias, sendo depositadas na própria Bolsa pelos envolvidos na operação), conforme o caso.

Controle da Moeda

Muitas vezes, o Banco Central Brasileiro realiza leilão de Swap Cambial reverso, para conter a alta do dólar. Isso significa que o Banco Central se compromete hoje a comprar uma determinada quantia de Dólares a uma taxa fixa de câmbio lá na frente, isto é, no mercado futuro. Logo, o Swap Cambial reverso é uma troca, onde o BC ganha a variação do dólar (espera que dólar suba) e os bancos recebem a remuneração da Selic (comprados em contrato). O termo reverso vem do fato de que antigamente, essa operação acontecia de forma inversa, isto é, o BC oferecia ao mercado títulos que pagavam a variação do dólar e recebiam a remuneração da Selic.

O Swap Cambial reverso equivale a comprar dólares no mercado futuro, fazendo com que o Dólar caia ou pare de subir. Como o BC se tornarão vendedores de Dólares no futuro, outros investidores se tornarão compradores, aumentando a demanda pelo dólar fazendo o Dólar cair.


2. Características

O Swap Cambial negociado na BM&F possui algumas características, conforme a seguir:

Contrato

Tamanho do Contrato US$ 50.000,00
Variação Mínima 0,01 ponto de taxa
Variação Máxima Percentual estabelecido pela BM&F

Vencimento

O vencimento é estabelecido pela BM&F. Cada data autorizada caracterizará uma série. Na data de vencimento, não serão permitidas operações para a série que estiver vencendo.

Ajuste Periódico

No caso do Swap Cambial, não há ajuste diário, e sim ajuste periódico. Nas datas estabelecidas pela BM&F para cada série, as posições de cada cliente serão ajustadas com base na taxa referencial BM&F, ajustada para o prazo a decorrer da série. Os valores relativos ao Ajuste Periódico deverão ser liquidados financeiramente no dia útil subsequente ao dia do ajuste.

Margem de garantia

A margem de garantia é um valor depositado em dinheiro ou títulos que servirá para cobrir uma possível inadimplência do investidor em alguma chamada de ajuste diário. Normalmente para se operar um futuro na bolsa, o investidor é obrigado a depositar margem de garantia para mitigar o risco de credito. Essa margem é estipulada pela Bolsa, de acordo com critérios de apuração de margem para os contratos futuros.

Os ativos aceitos como margem de garantia podem ser dinheiro, ouro, títulos públicos federais, títulos privados, cartas de fianças, ações e cotas de fundos fechados de investimento em ações.

Custos operacionais

Os custos operacionais ao negociar o Swap Cambial são:

Corretagem: Podendo variar para cada corretora. Entretanto, a grande maioria se utiliza da Taxa Operacional Básica, estipulada pela própria Bovespa. Nesse caso, os custos serão de 4%, sendo a base de cálculo para a série dada pelo diferencial teórico apurado.

Taxas da Bolsa: São cobradas taxas de emolumentos, taxas de registro, permanência e liquidação, calculados pela própria BM&F, conforme a seguir:

Emolumentos: Os emolumentos são os valores cobrados pela BMF referente aos serviços de negociação. Eles incidem na negociação do contrato (abertura ou encerramento de posição antes do vencimento), exercício de opções, registro e liquidação antecipada e procedimento de cessão de direitos. Nas operações normais de Swap Cambial, é cobrado US$ 0,80. Nas operações casadas, é cobrado US$ 0,40 em cada operação.

Taxa de liquidação: Essa taxa refere-se à liquidação dos derivativos no encerramento de posições no vencimento, além de pagar as despesas da Clearing. Geralmente, a taxa de liquidação é um valor fixo, cobrado por contrato, independente do volume negociado. No Contrato de Swap Cambial, é cobrado US$ 1,00.

Taxa de permanência: São os custos de serviço de acompanhamento de posições e emissão de relatórios e arquivos realizados pela clearing, além da cobertura de custos operacionais para a manutenção de posições inativas em produtos derivativos. Ela é aplicada sobre as posições em aberto em contratos negociados em pregão (exceto opções e minicontratos) e contratos registrados em balcão. Essa taxa é calculada diariamente, cobrada no último dia útil de cada mês, no dia seguinte ao encerramento das posições ou quando ocorrer a transferência total de posições para outro investidor.

A base de cálculo desta taxa é a quantidade de posições em aberto na abertura da data de cálculo, sendo possível a redução dessa taxa conforme volume negociado no dia. O fator de redução e o valor da permanência diária a ser aplicado sobre os negócios realizados no dia e sobre a posição em aberto é definido por contrato. Para o Swap Cambial, é cobrado uma taxa de 0,0035000% diariamente.

Taxa de Registro: Valor cobrado para registrar a operação na clearing, incidente somente nas negociações que impliquem a abertura de posições ou o encerramento antes do vencimento, sendo cobrada no dia útil subsequente à data dessas duas ocasiões. A taxa de Registro será de US$ 1,00.

Os valores em Dólares serão convertidos para reais pela taxa de câmbio referente ao último dia do mês anterior ao dia da operação.

Liquidação

Na data de vencimento do contrato, após a última atualização da posição, esta deverá ser liquidada financeiramente. O valor de liquidação da posição será a diferença entre o valor da ponta cupom e o valor da ponta valor final, multiplicada pela taxa de câmbio relativa ao dia anterior. Se o valor da ponta cupom for superior ao valor da ponta valor final, o valor de liquidação será creditado ao comprador (long) e debitado ao vendedor (short). Ocorrendo o contrário, o valor de liquidação será creditado ao vendedor e debitado ao comprador.

Swap Cambial Mini

Para operar contratos de Swap Cambial, é exigido um alto valor, tanto para a margem inicial quanto o próprio tamanho do contrato. A solução encontrada para permitir essa operação para pequenas empresas e investidores foi a criação dos contratos de mini Swap Cambial.

As regras e funcionalidades permanecem as mesmas dos contratos comuns de Swap Cambial, com a diferença de que o Swap Cambial mini vale 2% do contrato original, isto é, ao invés de valer US$ 50.000,00, cada mini contrato de Swap Cambial equivale a US$ 1.000,00.

A grande vantagem do Swap Cambial mini é a redução do financeiro envolvido, sendo os custos operacionais mais baixos, acessíveis a pequenos investidores e empresas de qualquer tamanho.

Outra diferença do Swap mini para o Swap normal é que o Swap Cambial mini possui ajustes diários, e não periódicos.


3. Exemplo

Vamos supor que uma empresa possua um CDB de R$ 1.000.000,00 investidos a 100% do CDI, a ser recebido daqui a 45 dias. A taxa de CDI está em 8,5% ao ano. Considere o quadro com as características a seguir:

Aplicação R$ 1.000.000,00
Dias para o vencimento 45
CDI ao ano 8,50%
Taxa CDI 45 dias 1,47%
Variação Cambial em 45 Dias 2,50%
Cupom Cambial ao ano 10%
Cupom Cambial para 45 Dias 1,27%

Como essa empresa possui suas dívidas em dólar, ela deseja trocar a rentabilidade do CDI pela rentabilidade do Dólar, afim de que suas dívidas não superem a rentabilidade de suas aplicações, logo, assume uma posição vendedora (Short), isto é, a empresa vende a taxa de juro (CDI) e compra a variação cambial do dólar mais o cupom cambial. O resultado desse Swap se dará da seguinte maneira:

1. Rentabilidade do CDI

Para calcular a rentabilidade da aplicação de R$ 1.000.000,00 para daqui a 45 dias, basta multiplicar o montante pela taxa do CDI para 45 dias, isto é:

R$ 1.000.000,00 x 1,47% = R$ 1.014.674,48

Ou seja, na data de vencimento, a aplicação vai gerar um rendimento de R$ 14.674,48 sendo o total resgatado de R$ 1.014.674,48.

2. Swap

Como a empresa está vendida no Swap, ela terá direito a receber, no vencimento, a variação do dólar acrescido do Cupom Cambial e terá a obrigação de entregar o rendimento do CDI.

Pagamento da rentabilidade do CDI = R$ 1.014.674,48

O recebimento da variação do Dólar acrescido do Cupom Cambial será:

= (taxa variação do dólar + Cupom Cambial para 45 dias) * Principal + Principal

Isto é:

= ((1+2,50%) * (1+1,27%)-1) * R$ 1.000.000,00 + R$ 1.000.000,00 = R$ 1.038.004,69

3. Resultado da operação

Na data de vencimento, a empresa terá o seguinte resultado:

Pagamento de R$ 1.014.674,48

Recebimento de R$ 1.038.004,69

Logo: R$ 1.038.004,69 – R$ 1.014.674,48 = R$ 23.330,20

Assim, a empresa recebe sempre um fluxo equivalente À variação cambial mais a taxa do Cupom Cambial. Nesse caso, a diferença foi de R$ 23.330,20 que a empresa recebeu a mais. Porém, sua dívida também aumento na mesma proporção. Sendo assim, essa operação serviu para fazer um Hedge contra suas dívidas em Dólar.

*Foram desconsiderados taxas, custos, emolumentos e impostos


4. Rentabilidade e Riscos

A rentabilidade e o risco de se investir em Contratos de Swap Cambial estão relacionados com a variação do Dólar Americano e do CDI. Logo, não podemos determinar com exatidão qual será o lucro ou prejuízo. Como o Swap é um contrato derivativo, ele pode ser usado tanto para proteção (hedge) quanto para investimentos especulativos. Se o Dólar variar muito, o investidor ou empresa poderá ter altos lucros ou altos prejuízos, dependendo de sua posição (long ou short).


5. Tributação

A tributação dos contratos de Swap Cambiais é a mesma utilizada para aplicações em renda fixa, isto é, a tributação será decrescente em função do prazo da aplicação, conforme a seguir:

  •  Aplicações de até 180 dias: 22,5% (somente sobre os rendimentos)
  • Aplicações de 181 a 360 dias: 20% (somente sobre os rendimentos)
  • Aplicações de 361 a 720 dias: 17,5% (somente sobre os rendimentos)
  • Aplicações acima de 720 dias: 15% (somente sobre os rendimentos)

A base de cálculo será o resultado positivo na liquidação ou cessão do contrato podendo ser considerados como custo da operação os valores pagos a título de cobertura (prêmio) contra eventuais perdas incorridas em operações de swap. Não é permitida a de compensação de perdas incorridas em operações de swap com os ganhos líquidos obtidos em outras operações de renda variável.


6. Vantagens

  • Possibilidade de fazer Hedge contra a variação do Dólar ou Contra o CDI;
  • Possibilidade de especular contra a alta do dólar.

7. Desvantagens

  • Ajustes diários ou periódicos;
  • Margem de garantia;
  • Imposto de Renda;
  • Investimento de alto risco

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